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NaLata Festival

SP recebe maior museu brasileiro de grafite a céu aberto

As obras foram realizadas no entorno do Largo da Batata

28.08.20 23:04

Obra, da artista Mari Mats, na Rua Capitão Prudente, 151.  (Divulgação | Nalata Festival)

Obra, da artista Mari Mats, na Rua Capitão Prudente, 151. (Divulgação | Nalata Festival)

Em plena quarentena, causada pelo novo coronavírus, a terra da garoa reforça sua fama de epicentro mundial da arte urbana. Com 3.689m² de arte, quem passar ou olhar pelas janelas da região de Pinheiros, poderá admirar o conjunto de 12 murais idealizados em parceria com 14 artistas, que cobriram por completo as fachadas de alguns prédios da localidade.
Batizado de Festival Nalata, o evento que reuniria uma quantidade maior de obras de arte e artistas, teve seu formato alterado por conta da COVID-19 que obrigou os organizadores a cancelar grande parte da programação.
Com realização da Agência InHaus e curadoria do Luan Cardoso, o NaLata conta com a presença dos artistas brasileiros: Alex Senna, Enivo, Evol, Marcelo Eco, Mari Mats, Mateus Bailon, Pri Barbosa e Rafael Sliks. E ainda, Gleo, muralista colombiana que usa tinta látex, pincéis e rolos de pintura para criar personagens imaginativos e vibrantes; e da muralista mexicana Paola Delfín.
Reforçando a efervescência cultural da cidade, o festival promove um movimento democrático de arte urbana com acesso irrestrito às obras.
“A arte tem o poder de transformar a vida das pessoas e o nosso objetivo é trazer um pouco de esperança e cores com essas pinturas, depois de tantos momentos difíceis que passamos coletivamente. E poder contar com a participação de grandes artistas nesse momento é essencial.”, comenta Luan Cardoso, sócio e curador do NaLata Festival.
Arte transformando vidas
A arte de rua sempre foi a melhor tradução cultural do que vivemos, para entender um pouco sobre a importância da arte em nossas vidas, o Destak foi conversar com alguns artistas que preenchem o vazio das cidades com mensagens de resiliência.
Confira abaixo:
Para você, qual a importância da arte?
Enivo -  Para mim, a importância da arte é a transformação. Não só o indivíduo, mas toda a sociedade. Das pessoas sensíveis, das pessoas que se tocam quando veem algo diferente, veem o novo.

Na minha vida, pelo menos, a arte foi um agente transformador muito grande que determinou

totalmente o destino da minha vida. Então, a importância da arte é essa, de transformar, curar, melhorar o que já é lindo.

Isso não necessariamente deixar mais lindo, porque a arte não tem a obrigação de embelezar, mas ela serve para informar, para transmutar o que já foi feito e já existe, que é a natureza.
Marcelo Eco - Arte é criação, o oxigênio e conexão. Acredito, como muitos pensadores, que artistas são mais próximos de Deus pela sua sensibilidade. A natureza é arte, digo que tudo que fazemos é muito inspirado na natureza: a música imitando os sons da natureza, a arquitetura imitando a arquitetura das plantas, a organização de um povo inspirada na organização de animais, a cultura idem, a identidade é arte. Se tudo é arte e inspirada na arte da vida como viver sem ela?
Mari Mats - A arte é importante porque traz alegria, traz emoção, traz conhecimento, traz crescimento e pode trazer e fazer muito por todos nós, a arte salva. Eu não sonhava em ser artista, minha vida me levou a ser uma, consequência de muitas coisas que vivi.
Mateus Bailon - Eu penso que a importância da arte não tem dimensão. A arte é parte essencial do ser humano. É através da arte que a gente se expressa da maneira mais pura.  A arte é uma ferramenta fortíssima e indispensável de autoconhecimento, conhecimento do mundo e do nosso papel nele.
Paola Delfín - Para mim, arte e cultura em geral são uma parte fundamental de qualquer sociedade e é tão importante que estejam ao alcance de todos.

Acho que a arte serve de testemunho, são histórias e vozes que transcendem o tempo através de diferentes meios, e cada um nos ensina e nos enriquece em cada um.
Como ela pode mudar o cenário atual?
Enivo - A arte pode mudar o cenário atual com sua contemporaneidade. Ela retrata o que está acontecendo no mundo, na sociedade, dentro das pessoas. Se a arte toca, informa e comunica, ela pode ajudar na mudança atual.  Quando ela é acessada, decodificada e compreendida, ela tem um grande potencial de mudança. A arte é um elemento muito importante para a sociedade. 
Marcelo Eco - Os gigantes painéis que pintamos representam uma mudança. Arriscamos nossas vidas a 40 metros de altura, em isolamento social total, pela arte em modificar um estado, um bloco de concreto cinza que virou arte, deixamos um presente para a cidade, artes gigantes andando em meio aos prédios.

Todos podem ser uma peça de transformação que aos poucos podem mudar um todo.
Mari Mats - A arte tem sido a válvula de muitas pessoas, até quem não criava nada passou a ter interesse por algo, acho importante a gente ter "hobbies" que nos incentivem de alguma maneira a crescer. Acho que a arte, da maneira que for, sempre será uma boa saída, para a mente, para o corpo, para a evolução como pessoa e como um passatempo também.
Mateus Bailon - Este é o papel de mudança da arte. A arte é uma ferramenta de cura para mim, de reflexão, de ver como a gente percebe no mundo, e junta isso a nossa própria interpretação, nosso sentimento, nosso inconsciente e cria uma expressão, que faz uma ponte de comunicação com quem entra em contato com a arte. Algo que foi criado por um indivíduo, e projetado no mundo, cria uma discussão e segue se ressignificando também. No final, a obra de arte, seja ela visual ou escrita, ela tem um impacto de interpretação, de expressão muito forte e acaba tendo um caráter de educação.
Paola Delfín - Acredito que a arte tem várias finalidades, tanto para o público quanto para o próprio artista, para mim é um canal de expressão, de libertação. Mas acho que sua função é também comunicar-se com quem a vê, principalmente a arte pública, acho importante que a arte sirva como instrumento de cura, e embora o cenário atual seja muito complexo, a arte está aí, conectando-nos mesmo.
Arte e seu movimento?
Enivo - São vários movimentos. Só de fazer o grafite, que algo muito ágil, já é movimento total. Me orgulho de fazer parte deste período da arte contemporânea, ser este lado também de contravenção, de ser negado, porque a arte contemporânea nos nega bastante. Talvez fomos negados pela arte de elite, arte contemporânea durante muitos anos, porque nosso acesso é direto, a gente conversa diretamente com as pessoas que transitam nas ruas todos os dias. Por isso, nosso movimento é forte lindo, é lindo.
Marcelo Eco - O movimento da arte sendo literal modifica o estado de espírito de lugar. Um livro, uma pintura, um dança, um filme. A arte é um portal para outra dimensão. Costumo dizer: mente voando, mas com os 2 pės no chão.
Mari Mats - Para mim sempre foi muito livre e não um movimento. Acho que existem diversos movimentos artísticos, eu vim de um deles que é o grafite, a arte urbana. Mas antes dele, eu estava no movimento da música que também é uma forma de arte né, então os movimentos são diversos e podemos fazer parte de todos que quisermos.
Mateus Bailon - A arte com tudo nesse universo segue em movimento e em transformação, carregando em si um caráter transformador. Acredito que a arte sempre está em movimento e transformando a sociedade ao mesmo tempo. A arte é um movimento? Não. A arte é muito maior do que qualquer movimento, é a parte essencial do ser humano. Dentro da arte existem vários movimentos. Não existe regra. Existe espaço para o mais amplo número de ideias e expressões.
Paola Delfín - Acho que a arte sempre teve movimentos diferentes desde o seu início, somos muitas pessoas no mundo com ideias diferentes. Entãom, acho difícil pensar que todos temos a mesma visão, seja no mundo da pintura, se você é um muralista, se você é um ilustrador, se você faz graffiti, essa diversidade é o que nos enriquece e onde está a beleza da arte.
Mundo pós coronavírus?
Enivo - É uma reconstrução do planeta. Eu acredito em um novo mundo. Acredito que estamos começando a viver agora é um pós-apocalipse. Já tivemos um apocalipse declarado. Vivemos confinados. Perdemos pessoas queridas e ainda vamos perder mais. Infelizmente.

É um grande momento de apreciarmos o que temos de mais precioso, que é a nossa vida, a vida de cada um. Então, acredito que o mundo pós-coronavírus deve ser regido pela gratidão, pelo hoje, dos nossos entes vivos e saudáveis , eu acho que esse é o maior exercício da humanidade.
Marcelo Eco - Difícil ser pessimista e aguardar uma melhora no mundo, pois ele está muito dividido, ainda mais tendo que reafirmar comprovações da ciência, acho que retrocedemos em muitos pontos. Difícil de acreditar que existem pessoas que passam por uma pandemia e não aprenderam nenhuma lição, uma grande oportunidade perdida.
Mari Mats - Espero muito que as pessoas mudem e aprendam com tudo isso que passamos. Na verdade é muito difícil saber como será daqui pra frente. Espero que com mais amor e menos violência, violência contra a natureza, violência contra negros, LGBTQI+'s, que a humanidade passe a ser mais consciente em todos os aspectos e assuntos.

Precisamos né! As próximas gerações já sofrerão as consequências do agora.
Mateus Bailon - Ao longo da nossa história, tivemos várias pandemias, conflitos, e outros eventos, desastres naturais impactantes que acabaram definindo nossos rumos e servindo como oportunidade para a humanidade evoluir, repensar a maneira como se relaciona entre si mesmo e com o meio ambiente, com o planeta.  Impossível prever o futuro, mas eu espero que isso sirva como uma lição, que a gente tenha mais empatia, mais cooperação. 
Paola Delfín- É difícil pensar no mundo pós-coronavírus, acho que todos estamos tentando ajustar nossas vidas ao mundo com coronavírus ainda, mas é reconfortante ver que apesar de tudo que a humanidade encontrou na criatividade soluções incríveis para comunicar, para nos ajudar, para dar esperem e lembrem uns aos outros que estamos todos juntos e embora ninguém saiba exatamente como serão as perspectivas, acho que apesar de quão difícil e preocupante é esta situação, temos diante de nós a oportunidade de reavaliar as coisas e crescer juntos.
Serviço:
As obras podem ser conferidas nos seguintes endereços:
- Rua dos Pinheiros, 1474. Artistas: Mateus Bailon, Paola Delfín, Gleo e Pri Barbosa
- Rua dos Pinheiros, 1475. Artistas: Pixote Mushi
- Av Faria Lima, 1134. Artistas: Selon e Marcelo Eco
- Rua Artur de Azevedo, 985. Artistas: Alex Senna e Selon
- Rua Capitão Prudente, 151. Artista: Mari Mats
- Rua Campo Alegre, 60. Artista: Enivo
- Rua Dos Pinheiros 2767. Artista: Thiago Nevs
- Largo da Batata (metrô). Artistas: Sliks e Evol
Sobre NaLata
Esta edição tem o apoio da Suvinil, Microsoft, Iguatemi, TNT e Kanui. Os interessados podem acompanhar a cobertura do festival pela internet, através do site nalatafestival.com.br ou pelas redes sociais @nalata.festival.

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