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Salve Gil

Trio Nordestino lança álbum em homenagem a Gilberto Gil

O novo projeto do grupo aproxima a obra de Gil de suas raízes

26.06.20 10:58

Grupo volta ao Gil dos primeiros anos de carreira, com a pré-tropicalista “Procissão”.  (Gerard Giaume | Divulgação)

Grupo volta ao Gil dos primeiros anos de carreira, com a pré-tropicalista “Procissão”. (Gerard Giaume | Divulgação)

Em homenagem ao 78 aniversário de Gilberto Gil, o Trio Nordestino apresenta hoje seu álbum intitulado Trio Nordestino canta Gilberto Gil. Lançado pela gravadora Biscoito Fino em suas plataformas digitais, o trio conta com mais de 60 anos de trajetória e segue a tradição de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros ilustres representantes da música nordestina.
O Trio Nordestino é uma das manifestações de todos que construíram a música nordestina com seus vários gêneros: o baião, o xaxado, o xote. Uma das coisas mais interessantes do Trio Nordestino é a reprodução do conjunto criado por Luiz Gonzaga, com acordeão, zabumba, triângulo e voz, ajudando enormemente na divulgação e renovação desses gêneros originários da família do baião. Um Trio que está inscrito na história da evolução da música nordestina. 
Para montar o repertório, o grupo selecionou entre os muitos xotes e baiões espalhados por discos de Gil, em suas diferentes fases. Ou mesmo fora de seus álbuns, como é o caso de “Abri a porta”, que abre o disco. Lançada em 1979 pelo A Cor do Som, a canção foi gravada por Gil ao lado de seu parceiro Dominguinhos em 1980, mas num disco do sanfoneiro. 
Na nova interpretação, a singeleza original da composição se mantém, mas com o tempero buliçoso do trio — formado por Luiz Mário (triângulo e voz), Jonas Santana (zabumba e voz) e Tom Silva (acordeon e voz). Tratado filosófico feito no barro do chão, “De onde vem o baião” soa como se estivesse em casa na sala de reboco do Trio Nordestino. E o arranjo acena para a produção mais recente de Gil — na introdução, a sanfona cita “Uma coisa bonitinha”, parceria do baiano com João Donato gravada em “Ok ok ok”, seu álbum de 2018. Em seguida, o grupo volta ao Gil dos primeiros anos de carreira, com a pré-tropicalista “Procissão” — relato do misticismo sertanejo que carrega a influência direta de Gonzaga e dos cantadores de Ituaçu.
A faixa seguinte, “Vamos fugir”, segue o mesmo espírito de xotezinho safado — com a diferença de que essa nasceu como reggae. A banda de maçã e a banda de reggae seguem vivas na leitura do Trio Nordestino, mas agora acompanhadas da interjeição “vixe Maria!”. “Palco” — gravada por Gil em 1981 como um funk-disco explosivo — foi outra que o grupo levou para o universo pé-de-serra.
“Refazenda” — do álbum homônimo, de 1975, no qual Gil se propunha a olhar para suas origens — se encaixa à perfeição na embocadura do Trio Nordestino. Assim como “Madalena (Entra em beco sai em beco)”, na qual o grupo estabelece uma festa de São João, guiada pelo resfolego nervoso da sanfona.
A mais rara do repertório é “Minha princesa cordel”, que teve apenas uma gravação, em 2011, para a trilha da novela “Cordel encantado” — em dueto de Gil e Roberta Sá. O garimpo valeu. A bela canção merecia ser recuperada, mais ainda pelas mãos de quem domina sua gramática pernambucana.
Já em  “Expresso 2222”, o baião que aponta para o futuro, pra depois do distante ano 2000 (a canção foi lançada em 1972), encerra com precisão a viagem do Trio Nordestino pela história de Gil. Uma viagem que, seguindo um trilho que é feito um brilho que não tem fim, nos leva a Ituaçu que não é de matéria ou qualquer coisa real. Uma Ituaçu que vem de baixo do barro do chão.  

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