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Coronavírus

Itália anuncia 475 mortos em 24 horas

Já são quase 3 mil pessoas que perderam a vida no país devido à pandemia

18.03.20 15:32

Funcionário faz limpeza nas ruas de Veneza (Marco Sabadin/AFP)

Funcionário faz limpeza nas ruas de Veneza (Marco Sabadin/AFP)

A pandemia de coronavírus matou 475 pessoas na Itália nas últimas 24 horas, o pior balanço registrado em um país em um dia, anunciou nesta quarta-feira a proteção civil.
Já são quase 3.000 pessoas (2.978) que perderam a vida na Itália, um balanço próximo ao da China (mais de 3.200 mortos), onde a pandemia se originou.
O planeta aguarda o "pico" da epidemia na Itália. O confinamento foi decretado há uma semana, no entanto, as autoridades reportaram 4.207 casos de novas infecções nas últimas 24 horas, um número nunca antes alcançado.
Na Universidade de Gênova (norte), uma equipe de especialistas em contágio e ciência da computação desenvolveu um modelo que, segundo eles, até agora demonstrou sua confiabilidade na evolução do Covid-19, "com uma margem de erro aceitável". 
Prevê que, em termos de novos casos diários, o pico da epidemia na Itália será entre 23 e 25 de março, embora a altura desse ponto e sua subsequente evolução dependam do comportamento dos italianos. 
Ao decretar na noite de 11 de março o confinamento total do país até 25 de março, o chefe de governo Giuseppe Conte havia estimado em "duas semanas" o tempo necessário para que as medidas mostrassem um primeiro resultado. 
"Atingir o pico não significa que saímos da emergência, mas apenas que a epidemia começou a desacelerar e que, alguns dias depois, atingiremos o ponto de saturação das unidades de terapia intensiva, com desequilíbrios regionais significativos", explica Flavio Tonelli, professor de simulação de sistemas complexos da Universidade de Gênova, que participou da elaboração do algoritmo.
O Conselho Nacional de Pesquisa (CNR, na sigla em italiano) prevê uma "redução significativa" na taxa de crescimento de casos positivos em seis ou sete dias na Lombardia, a região mais afetada da Itália com mais de 1.600 mortes e confinada desde 8 de março. 
Observando que um aumento de casos está ocorrendo nas regiões do sul, onde muitos italianos do norte saíram após o anúncio das medidas de contenção, o CNR estimou em comunicado divulgado na terça-feira que a estabilização do número de pessoas infectadas "acontecerá entre 25 de março e 15 de abril". 
"Essas estimativas estão sujeitas a uma grande incerteza devido a vários fatores em jogo e devem ser permanentemente recalibradas com base nos dados disponíveis e nas mudanças de comportamento das pessoas como resultado de decretos do governo", analisa o CNC. 
Para o físico Giorgio Sestili, "há uma grande incerteza. Algumas análises falam de um pico entre 25 de março e 15 de abril, mas ainda existem muitas variáveis que devem ser levadas em consideração. É muito importante continuar o confinamento total e evitar os focos no centro e no sul", explicou ele nesta quarta-feira ao jornal Avvenire.
Segundo o diretor do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Superior de Saúde, Giovanni Rezza, "falar sobre o pico da epidemia em nível nacional não faz sentido". 
"Temos que ver de que parte da Itália estamos falando, porque na Lombardia estamos em uma situação de incidência máxima nas áreas de Brescia e Bergamo, enquanto o pior já aconteceu na região de Lodi (primeiro foco da epidemia na Itália" )", explicou na Radio Capitale na terça-feira. 
"É impossível fazer previsões porque a epidemia está crescendo em lugares diferentes", acrescentou, ressaltando que "a fuga de dezenas de milhares de pessoas para o sul poderia causar um aumento no número de casos nesta semana". 
Igualmente prudente, o epidemiologista da Universidade de Pisa (Toscana), Pierluigi Lopalco, considera que "aqueles que dizem que teremos um desvio da curva de casos após 25 de março, 6 de abril ou 15 de maio têm um bola de cristal".
"Os modelos de previsão Covid-19 são como previsões do tempo. Eles funcionam 24 horas antes; são bons em 48 horas, mas não são confiáveis após 72 horas", afirmou no Twitter.

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