Menu

Versão
impressa

Edição impressa
Menu
Busca

Saúde

Woodstock ocorreu no meio de uma pandemia

Segundo a Reuters, alegação é parcialmente verdadeira

15.05.20 9:50

A segunda 'onda' de doença que aconteceu em 1969-1970 foi menos grave que a primeira nos EUA. (The Museum at Bethel Woods)

A segunda 'onda' de doença que aconteceu em 1969-1970 foi menos grave que a primeira nos EUA. (The Museum at Bethel Woods)

Segundo a publicação inglesa Reuters, a pandemia da gripe de Hong Kong do vírus H3N2, entre 1968-1969, coincide com o festival de Woodstock, realizado em agosto de 69. Embora esse cronograma seja verdadeiro, o festival não ocorreu durante o pico desta pandemia. Ainda de acordo com a Reuters, o pico para a maioria dos estados dos EUA foi dezembro de 1968 e janeiro de 1969 (28 de dezembro de 1968 no estado de Nova York).
A segunda 'onda' de doença que aconteceu em 1969-1970 foi menos grave que a primeira nos EUA. A maioria das mortes nos EUA (70%) ocorreu durante a primeira onda. Como na maioria dos casos de gripe, sua ocorrência diminuiu no verão de 1969, antes de retornar nos últimos meses de 1969 para sua segunda onda. 
Assim, o festival de Woodstock aconteceu entre a primeira e a segunda ondas da nova gripe de Hong Kong, que surgiu em 1968, mas não durante um pico de infecções e meses após a primeira onda mortal do vírus atingir os EUA.
Usuários de mídias sociais têm compartilhado imagens on-line que afirmam que o festival de música popular Woodstock, que ocorreu em agosto de 1969, aconteceu no meio de uma pandemia.
 Afirmação está correta
Comentários e postagens reuniram reações mistas dos usuários das redes sociais. As postagens foram sinalizadas várias vezes como parte dos esforços do Facebook para conter as informações erradas relacionadas ao novo coronavírus.

Uma das alegações mais comuns diz: “A gripe de Hong Kong (H3N2) de 1968 matou 1 milhão em todo o mundo e 100.000 nos EUA, sendo o excesso de mortes em pessoas com mais de 65 anos (via CDC). Nada mudou economicamente, nada fechado, sem distanciamento social, sem máscaras. Ninguém foi considerado egoísta então".
A Woodstock Music and Art Fair foi um festival de música icônico que ocorreu em agosto de 1969 em uma fazenda de gado leiteiro no norte de Nova York. Os organizadores esperavam 30.000 pessoas, mas centenas de milhares apareceram. Houve relatos de engarrafamentos de 20 milhas (32 km) de comprimento, o que resultou em espectadores abandonando seus carros e caminhando para o local. O festival não tinha comida, água e áreas de dormir suficientes para a multidão inesperada. 
Para o Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), foi observado pela primeira vez nos Estados Unidos em setembro de 1968, o número estimado de mortes foi de 1 milhão em todo o mundo e cerca de 100.000 nos Estados Unidos.
A maioria das mortes em excesso ocorreu em pessoas com 65 anos ou mais. Ainda de acordo com a publicação, o vírus H3N2 continua a circular em todo o mundo como um vírus influenza sazonal A.
A pandemia durou até 1970 
O número de mortes foi comparável à pandemia asiática de 1957 da gripe que matou 1,1 milhão em todo o mundo. Em 6 de maio de 2020, pelo menos 262.238 pessoas em todo o mundo morreram durante o atual surto de COVID-19. Estima-se que a pior pandemia da história moderna, a gripe espanhola de 1918, tenha matado pelo menos 50 milhões. 
Um artigo do New York Times de 17 de agosto de 1969 relatou que o produtor do festival de Woodstock, Michael Lang, disse que uma dúzia de médicos compareceram ao festival não por causa de "doenças comuns", mas por causa da "ameaça potencial de um vírus resfriado ou epidemia de pneumonia entre uma reunião tão grande". 
Já o jornal de  Wall Street, comparou o novo surto de coronavírus com a gripe de Hong Kong de 1968: E"m 68-70, as agências de notícias dedicaram atenção superficial ao vírus enquanto treinavam suas lentes em outros eventos, como o pouso na lua e a Guerra do Vietnã, e a revolta cultural dos movimentos de direitos civis, protestos estudantis e revolução sexual".
Susan Craddock, professora da Universidade de Minnesota, disse ao jornal que as taxas de mortalidade da pandemia de 1968 eram significativamente mais baixas do que as do COVID-19, e que, sem cobertura de notícias 24 horas, recursos on-line e mídias sociais para aumentar a ansiedade do público, os políticos estavam sob menos pressão para agir do que hoje. 
*Com informações das agências internacionais
* Colaborou  Guil Macedo

DESTAK EDITORA S.A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização expressa. Copyright – Termos de uso